A Catedral (poema)

Jubileu de 150 anos da Igreja Matriz São João Batista

Lá onde os sinos badalam chamando a cidade a rezar.
Onde o canto ressoa e ecoa nos corações.
Lá onde a sédia daquele que aos apóstolos sucede está.
E onde as massas sem rosto encontram na face de Cristo um olhar.

É a casa do Povo, referência do velho e do novo.
Coluna robusta da diocese e casa amiga daquele que pede.
Mãe acolhedora de sofredores e sofrida parturiente de tantos nascentes.

Não é a maior nem a mais bela de todas que existem.
Mas não há com que se comparar o que ali aconteceu e acontecerá.
A beleza que dela se extrai, muito mais que dos seus umbrais, não se crê se não se vive e não se vê.
Contar é perder tempo.
Cantar e poetizar é tentar conquistar quem nela ainda não deseja um dia estar.

Seus ares perfumados de incenso em dias de festa;
Seus altares ornados de simples azaleias;
Seus lustres acesos e castiçais com velas de virgem cera pura;
Seus bancos ocupados com esperança e prece;
Seus padres vindos de todos os cantos ao som de uma voz:
O bispo com Cristo conclamando, nossa resposta é veloz:

É dia de festa solene! É sinal de unidade e o inferno teme!
Teme perder a divisão que tantas vezes se instala na solidão.
E saber que não há diferença, que a gente se suporta e se sustenta.
Teme perceber que o escuro coração cede lugar para a luz da razão.
Teme não mais existir entre aqueles que, unidos, celebram ali.

Essa é a sua e a minha Catedral.
Cadeira do bispo, sim, antes de tudo! De onde ensina e labuta.
Mas também seu e meu lugar, para da luta descansar.
É lugar de remanso, de ouvir santos cânticos, rezar e se inspirar.
Ela, enfim, é doce e provisório lar, porque o céu nela apenas pode começar.

Padre Celso Henrique Macedo Diniz – vigário paroquial

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