Solenidade Eucarística de Corpus Christi

O Pão da Vida

A Eucaristia é o penhor da eternidade. É o Sacramento por excelência. Nela, toda a nossa caminhada de fé atinge o seu ápice, pois temos a graça de poder comungar do verdadeiro alimento, e termos nossa alma redimida de suas faltas, salva do pecado. E por ser tão importante, a Igreja lhe dá especial destaque por meio de uma solenidade única e separada da Semana Santa, quando celebramos a Páscoa do Nosso Senhor Jesus. Este solenidade é chamada de Corpus Christi, ou seja, Corpo de Cristo. Como de costume, esta festa é celebrada na quinta-feira, logo após a Solenidade da Santíssima Trindade.

A celebração de Corpus Christi teve sua origem na Diocese de Liége (Bélgica), no século XIII, por meio da monja agostiniana Juliana de Cornillon, que teria sido inspirada para que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque. Em 1264, através da Bula Papal “Transiturus de hoc mundo”, o Papa Urbano IV estendeu a festa para toda a Igreja.

“E, depois de ter dado graças, partiu o pão e disse: “Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim”. Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: “Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim”.”

(I Cor 11, 23-24)

A libertação do pecado nos vem pela Eucaristia

No Antigo Testamento (Ex 12), lemos o relato da libertação do povo de Deus da escravidão do Egito. Para a realização da última e décima praga, Deus diz a Moisés e a seu irmão Aarão que tomem um cordeiro por família e o imolem.

Eis a maneira como o comereis: tereis cingidos os vossos rins, vossas sandálias nos pés e vosso cajado na mão. Come-lo-eis apressadamente: É a Páscoa do Senhor.

(Ex 12,11)

Vemos, portanto, no Pentateuco o grande acontecimento salvífico: a libertação de Israel da escravidão e sua constituição como povo de Deus. Assim como nesse evento a passagem de Deus libertador é precedida por uma ceia, na qual um cordeiro é imolado e seu sangue é derramado sobre os umbrais das portas, também no Novo Testamento, temos uma ceia que precede a nova e definitiva Páscoa, na qual o próprio Deus se oferta como cordeiro imolado e se dá como alimento para libertação da sua Igreja, isto é, para a nossa salvação.

A Eucaristia é uma proclamação da morte expiatória (I Cor 11,25); é um memorial (Lc 22,19) no sentido da representação cultual e da representação do fato salvífico: no rito, cada participante vive o acontecimento e é pessoalmente integrado na morte e ressurreição de Jesus, nos termos com os quais São Paulo frequentemente descreve a nova vida do cristão.

A comunhão só se realiza por meio de Jesus Cristo, que é homem e que, como homem é corpo. Assim, o corpo se torna realmente presente. Nesse aspecto, a linguagem do rito não dá margem à possibilidade de que se trate de um simples simbolismo. O modo pelo qual o pão e o vinho constituem o corpo é um mistério de fé, termo consagrado pela própria Igreja.

O corpo de Cristo é a Igreja. Por isso, a Eucaristia é sinal efetivo da unidade cristã. As instruções de I Cor 11, 17-33 revelam que a Eucaristia estava ligada a uma refeição feita em comum por todos os membros da Igreja, a agape ou “festa de amor”. Tal refeição em comum também está implícita em At 2,46.

Fonte: McKenzie, John L., Dicionário Bíblico (tradução Álvaro Cunha… et al.). São Paulo: Ed. Paulinas, 1983

Corpus Christi: “Eis que Eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo”

A liturgia da Igreja, desde a celebração da Semana Santa, nos tem levado a meditar em diversos aspectos do atuar de Deus no meio do seu povo. O amor do Pai ao entregar seu Filho único, a obediência generosa de Jesus entregando-se por nós, o envio do Espírito Santo em Pentecostes e por último, no último domingo, a comunhão de amor que é vivida no interior da Santíssima Trindade, comunhão a que estão chamados todos os filhos da Igreja.

Com todas essas demonstrações de amor por parte de Deus ao homem, agora cabe a nós dar uma resposta a Deus. Essa resposta, como nos diz o Catecismo da Igreja Católica, deve ser a fé. Nós estamos chamados a dar esse salto de fé, a confiar no amor de Deus por nós e a caminhar, apoiados nEle, rumo ao Céu.

Corpus Christi

Mas Deus sabe que somos fracos e que, muitas vezes, estamos mais inclinados a desconfiar que a confiar. Sabe que estamos em um mundo que parece estar cada vez mais longe de Deus e que é, muitas vezes, hostil aos que creem; sabe também que necessitamos renovar uma e outra vez as nossas forças, para seguir avançando na nossa vida cristã.

Por isso, Ele quis ficar conosco para sempre, de uma maneira totalmente nova. Ele se fez pão, para cumprir a promessa de que estaria conosco até o fim do mundo. Jesus continua cumprindo essa promessa cada vez que se celebra a Eucaristia, em qualquer igreja ou capela pelo mundo afora. E é essa presença real que celebramos e recordamos na festa de Corpus Christi, instituída para realçar a presença de Cristo no Santíssimo Sacramento.

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